sábado, 2 de julho de 2011

Desfiladeiro

Eu caminhei meio desinteressado por esse caminho. No princípio ficou determinado por qual caminho eu deveria seguir. Bem, não que fosse obrigação, mas pareceu-nos o destino mais conveniente. Mal sabia eu que era, também, o mais seguro.
Ironia da vida, como só ela faz, tal segurança serviu-me de nada. No entanto, esse tanto eu só viria a saber depois.

Nesse caminho, segui. E cheguei a um amplo espaço, uma espécie de cânion. O vento, ali, batia feroz. E havia ar por todos os lados, do céu ao imenso penhasco abaixo dos meus pés. Surpresa a minha, que sobre esse imenso abismo, onde nenhum obstáculo parava o vento, restava eu, sem conseguir respirar.

Sabe, é como se toda a ficção do que sonhamos como proibido fizesse mais sentido do que essa realidade que nos é permitida. Sentir-se sufocado pela imensidão de possibilidades que agora me cerca é, no mínimo, infantil. Faz com que perceba que não existe nada mais assustador, menos certo e seguro, do que uma oportunidade.

Nesse caminhar, os passos tornaram-se descompassados. E agora, com medo, me encontro com pressa, parado diante da beirada. Pular é a única solução, já que voltar atrás é impossível. Alguma voz sussurra que é pra escuridão do abismo que eu me dirijo. E eu quase perco a fé.

Aí percebo que fé, é o único sustento que tenho. Não é por acreditar em algo que eu me movo. É por simplesmente precisar que ele venha a acontecer. E é com isso em mente que eu pulo. Vai que Deus me ensina a voar.

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